O deputado Jovair Arantes (PTB-GO), relator da comissão especial que
analisa o pedido de abertura de processo de impeachment contra a
presidente Dilma Rousseff, disse em seu relatório nesta quarta-feira que
as "violações" cometidas pela presidente justificam a abertura de um
processo de impedimento.
Arantes, durante leitura de seu
relatório de quase 130 páginas aos membros da comissão pela
admissibilidade da denúncia contra Dilma, apontou indícios de crimes de
responsabilidade cometidos pela presidente nas chamadas "pedaladas
fiscais" e na abertura de créditos suplementares por decreto sem
autorização do Legislativo.
"A magnitude e o alcance das violações
praticadas pela presidente da República constituíram grave desvio dos
seus deveres funcionais, com prejuízos para os interesses da nação e com
a quebra da confiança que lhe foi depositada. Tais atos justificam a
abertura do excepcional mecanismo do impeachment", escreveu o relator.
Após
a discussão do relatório de Arantes na comissão, a previsão é de que
seja votado na segunda-feira e depois lido no plenário da Câmara e
publicado. A partir daí, após prazo de 48 horas, pode ser votado pelos
parlamentares.
São necessários os votos de 342 deputados para
que a Casa autorize a abertura do processo de impeachment contra Dilma.
Posteriormente, o Senado terá de decidir por maioria simples se
instaura o processo contra Dilma, o que implicaria em seu afastamento da
Presidência por 180 dias até a conclusão do julgamento pelo Senado.
O
Palácio do Planalto espera uma derrota na comissão especial e já vinha
concentrando esforços para conseguir uma decisão favorável no plenário
da Casa, especialmente depois do rompimento do PMDB com o governo. A
avaliação na véspera da apresentação do parecer de Arantes era que
haviam aumentado as chances de segurar o processo no plenário da Casa.
A
denúncia original, redigida pelos juristas Hélio Bicudo, Miguel Reale
Jr. e Janaína Paschoal, acusa o governo de editar decretos de créditos
suplementares sem autorização do Congresso e da prática das chamadas
pedaladas fiscais em 2015.
Quando deu seguimento ao pedido de
impeachment contra Dilma no ano passado, o presidente da Câmara, Eduardo
Cunha (PMDB-RJ), considerou apenas essas denúncias.
Mas os
argumentos dos autores do pedido de impedimento fazem menção também às
pedaladas fiscais ocorridas no primeiro mandato de Dilma, já reprovadas
pelo Tribunal de Contas da União (TCU), além de citar esquema de
corrupção na Petrobras investigado pela operação Lava Jato da Polícia
Federal.
Em seu parecer, Arantes afirmou não ter levado em conta
as denúncias de irregularidades na estatal, mas acrescentou que essas
acusações podem ser consideradas pelo Senado.
(Reportagem adicional de Eduardo Simões, em São Paulo)
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